sexta-feira, março 21, 2025

A fascinante história do Príncipe Africano retratado por Gustav Klimt

Retrato de príncipe da África Ocidental William Nii Nortey Dowuona, feito pelo célebre pintor austríaco, está à venda por 15 milhões de euros. Mais impressionante do que o preço é a história por trás da obra de arte.

Retrato de William Nii Nortey Dowuona: obra do pintor Gustav Klimt ficou perdida por muitos anos

    Durante muito tempo, o retrato do príncipe da África Ocidental pintado em 1897 pelo austríaco Gustav Klimt foi dado por perdido: seus rastros desapareciam depois de 1938.

    A reaparição da pintura Príncipe William Nii Nortey Dowuona se tornou uma sensação no mundo da arte, assim como o fato de ela estar pestes a ser vendida por 15 milhões de euros (R$ 92 milhões) na feira de arte Tefaf, em Maastricht, Holanda.

    Um casal de colecionadores levou o quadro até a galeria dos negociantes de arte vienenses Wienerroither & Kohlbacher, há 25 anos especializada em Klimt. "Foi uma grande surpresa para nós", comenta o diretor da galeria, Alois Wienerroither.

    Ele e seus sócios não reconheceram imediatamente o tesouro que estava escondido atrás da sujeira. "Nós olhamos para a pintura; ela estava suja e tinha uma moldura ruim; não parecia nada com Klimt." Após a limpeza, ficou claro que era a pintura de um príncipe da África Ocidental, de uma região que atualmente é parte do território de Gana.

Klimt, pioneiro da vanguarda austríaca

    O vienense Gustav Klimt (1862-1918) foi um dos pintores mais importantes austríacos do final do século 19. Considerado o representante máximo do estilo art nouveau vienense, ou jugendstil, seus retratos abstratos de mulheres, como O beijo e a Dama dourada são mundialmente famosos.


O beijo, uma das pinturas mais famosas de Klimt, está no Museu Belvedere de Viena

    Em 1897, fundou com um grupo próximo de artistas a Secessão de Viena. O coletivo de 50 artistas de vanguarda queria romper com o estilo realista do historicismo e lançar uma nova estética, tendo Klimt como presidente da associação.

    Durante esse período de mudança ele pintou o retrato do príncipe da África Ocidental, em estilo realista. Para Wienerroither, trata-se de um quadro fundamental: "O fundo floral da pintura já é moderno e também evoca o retrato de Sonja Knips, filha de uma família de oficiais, que ele pintou um ano depois."

sexta-feira, fevereiro 21, 2025

Macacos de Minas Gerais atingem estágio de evolução da pedra lascada

Macacos de Minas Gerais atingem estágio de evolução da pedra lascada

     Símios que vivem em fazenda de Montes Claros (MG) produzem lasca de rochas similares à de ancestrais do Homo sapiens ao usar pedras para quebrar frutos secos.

     Cientistas trabalhando em Minas Gerais descobriram que um grupo local de macacos-prego, uma espécie de primata relativamente distante dos humanos, atingiu um estágio evolutivo semelhante àquele em que ancestrais do Homo sapiens chegaram há 3,3 milhões de anos: a idade da pedra lascada.

Jovem macho esmaga uma frutinha de grão-de-galo 

     A equipe de pesquisadores documentou o comportamento de alguns desses símios na mata dentro de uma fazenda em Montes Claros (MG) e mostrou que eles são capazes de produzir lascas de pedra, a forma mais rudimentar de ferramenta que hominídeos criavam na África, muito antes do surgimento do homem moderno.

     Os símios em questão, da espécie Sapajus xanthosternos (macaco-prego-do-peito-amarelo), não lascam a pedra intencionalmente, entretanto. As lascas são subproduto de um comportamento já conhecido dos macacos-prego, o de usar pedras para quebrar sementes e frutos secos.

Macaco-prego - Nome científico: Sapajus Classe: Mammalia Família: Cebidae
Filo: Chordata Ordem: Primates Reino: Animalia

    A descoberta foi anunciada nesta terça-feira num estudo na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA. O trabalho foi liderado pelos cientista Tomos Proffitt e Lydia Luncz, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, e teve participação dos brasileiros Paula Medeiros e Waldney Martins, da Universidade Estadual de Montes Claros.

Descoberta sobre macacos em MG questiona ideia de que inteligência humana é única.

'Retrato do amigo Mateu Fernández de Soto' Famosa pintura de Picasso escondia retrato de mulher misteriosa

    Foi descoberto um retrato de uma mulher misteriosa pintado debaixo de uma das obras mais emblemáticas do período azul de Picasso. Não se sabe quem é, mas os especialistas acreditam que seja semelhante a outras tantas pintadas pelo artista espanhol em Paris.

Pablo Picasso, Portrait of Mateu Fernández de Soto, 1901, oil on canvas, 61.3 x 46.5
cm Oskar Reinhart collection ‘Am Römerholz’, Winterthur, Switzerland.

    O retrato é misterioso e estava escondido debaixo de uma das mais famosas obras do período azul de Pablo Picasso. Não se sabe quem é ou quando foi feita, sabe-se apenas que o artista pintou por cima o retrato do amigo Mateu Fernández de Soto em 1901.

FONTE Courtauld Institute of Art processo de varredura da imagem

    A descoberta só chegou quase 125 anos depois. Os contornos originais foram revelados pelos investigadores do Courtauld Institute of Art através do uso de raio-x e infravermelhos.

‘Ötzi o Homem do Gelo – A Múmia do Similaun a mais bem preservada já descoberta datada de aproximadamente 5.300 anos.’

    Ötzi é uma múmia masculina bem conservada com cerca de 5 300 anos. A múmia foi encontrada por um casal de alpinistas, nos Alpes orientais, em 1991, num glaciar perto do monte Similaun, na fronteira da Áustria com a Itália, o Vale de Ötztal Alto Ádige — em alemão Ötztaler Alpen. Ele rivaliza com a múmia egípcia “Ginger” no título de mais velha múmia humana conhecida, e oferece uma visão sem precedentes da vida e hábitos dos homens europeus na Idade do Cobre. Ao morrer, vestia roupas que o protegiam do frio, com três camadas de roupas. Estudos revelaram que seu casaco era feito a partir de peles de ovelha e cabra. Quanto às caneleiras, elas acabaram sendo costuradas a partir de couro de cabra. Os cordões dos seus sapatos de couro de vaca foram criados a partir de um auroque ancestral do boi atual, além de uma capa forrada de fibra da casca da tília, árvore típica no hemisfério norte. Nem todos os itens de vestuário de Ötzi vieram de animais domesticados: a pele veio de urso pardo e a aljava das flechas era feita de pele de veados.

Ötzi o Homem do Gelo reconstrução naturalista baseada técnicas
forenses no 
Museu Arqueológico do Sul TirolItália).

    Ötzi foi encontrado por um casal de montanhistas alemães, Helmut e Erika Simon, em 19 de setembro de 1991. Inicialmente pensaram se tratar de um cadáver moderno, como diversos outros esportistas ou não que são encontrados na região mortos por causa do frio.

    O corpo foi confiscado pelas autoridades austríacas e levado para Innsbruck em Tirol, onde sua verdadeira idade foi finalmente estabelecida. Pesquisas posteriores revelaram que o corpo fora encontrado poucos metros além da fronteira, em território italiano. Hoje está exposto no Museu de Arqueologia do Alto Ádige, Bolzano, Itália.

O exato momento da descoberta / Crédito: Divulgação/ Dolan DNA Learning Center

    Seu corpo foi extensamente examinado, medido, radiografado e datado. Os tecidos e o conteúdo dos intestinos foram examinados ao microscópio, assim como o pólen encontrado nos seus artefatos. Suas roupas, incluindo uma capa de grama entrelaçada e casaco e calçados de couro, eram bastante sofisticadas. Os sapatos eram largos e à prova d'água, aparentemente feitos para caminhar na neve; as solas eram feitas de pele de urso, a parte superior de couro de veado e uma rede feita de cascas de árvores. Tufos de grama macia envolviam o pé dentro do sapato, servindo de isolante térmico. Outros artefatos encontrados junto a Ötzi foram um machado de lâmina de cobre com cabo de teixo, uma faca de sílex e cabo de freixo, uma aljava cheia de flechas e um arco longo de teixo inacabado que era mais comprido do que Ötzi.

sexta-feira, janeiro 24, 2025

Descoberta de um mapa em 3D datando da... pré-história

    No coração da floresta de Fontainebleau, na França, uma modesta caverna esconde um tesouro arqueológico excepcional. Pesquisadores descobriram o que pode ser o mapa tridimensional mais antigo já identificado, oferecendo uma visão inédita sobre as capacidades cognitivas de nossos ancestrais pré-históricos.

    Essa descoberta, datando do Paleolítico Superior, desafia nossa compreensão das primeiras representações espaciais. As gravuras e os arranjos do solo da caverna de Ségognole 3 parecem reproduzir a paisagem ao redor, com seus cursos d'água e relevos. Uma proeza técnica e artística que demonstra um pensamento abstrato já sofisticado.


Pesquisadores acreditam ter descoberto em caverna paleolítica na França o que pode ser o mapa 3D mais antigo já encontrado, datado de 18.000 a.C.

Uma caverna com múltiplos segredos

    A caverna de Ségognole 3, localizada em Noisy-sur-École, é conhecida desde os anos 1980 por suas gravuras rupestres, incluindo dois cavalos emoldurados por uma representação feminina. No entanto, foram as modificações no solo que recentemente chamaram a atenção dos cientistas. Sulcos e depressões, cuidadosamente escavados, formam uma rede hidráulica complexa.

A complexidade do mapa, com suas bacias, canais e sulcos perfeitamente desenhados, revela um pensamento abstrato e um nível de sofisticação inimaginável para uma época tão remota.
    
    Esses arranjos, segundo os pesquisadores, não são obra do acaso. Eles reproduzem o sistema hidrográfico do vale do École, localizado nas proximidades. A água da chuva que fluía por essas estruturas animava outrora essa paisagem em miniatura, criando uma representação dinâmica e funcional.

domingo, dezembro 15, 2024

Salto tecnológico "incrível" teria acontecido na Europa há 900 mil anos

Salto tecnológico teria acontecido na 

Europa há 900 mil anos

    Uma descoberta recente em El Barranc de la Boella, no nordeste da Espanha, trouxe à tona ferramentas de pedra avançadas de cerca de 900 mil anos atrás. Segundo Diego Lombao, antropólogo da Universidade de Santiago de Compostela, essas são as evidências mais antigas da Europa de uma técnica sofisticada de fabricação de ferramentas. O achado sugere que esses avanços tecnológicos surgiram antes da separação evolutiva entre humanos modernos e neandertais.

    A descoberta indica que os hominídeos daquela época não só produziam ferramentas maiores e mais específicas, como seguiam um padrão comum de fabricação. Os cientistas perceberam que a forma como as pedras eram talhadas seguia uma sequência estruturada, o que demonstra um alto nível de planejamento e habilidade técnica. Lombao e sua equipe destacam no estudo que a sofisticação observada no sítio arqueológico revela “um nível sofisticado de antecipação e planejamento”.

A produção de ferramentas tornou-se mais especializada no Pleistoceno Médio, afirmam pesquisadores.

Um salto tecnológico à moda europeia

    As ferramentas descobertas em El Barranc de la Boella fazem parte do chamado Modo 2, ou técnica acheuliana. Esse método representa um upgrade significativo em relação às ferramentas mais antigas conhecidas como Modo 1, ou Oldowan. Enquanto as ferramentas Oldowan eram feitas apenas com batidas simples entre duas pedras, o Modo 2 envolvia um processo de refinamento adicional, utilizando ossos ou madeira para dar forma e simetria aos artefatos. Os resultados? Machados e picaretas de pedra muito mais eficientes e específicos para determinadas tarefas.

Um estêncil de cópias limitadas de Banksy se autodestrói no meio do leilão

Obra de arte de Banksy se autodestrói após ser vendida por mais de 1 milhão de libras

Cortador de papel escondido no quadro Menina com Balão de Banksy destruiu a obra após ela ter sido leiloada na Sotheby's, em Londres Reino Unido.

    O anônimo mais famoso do mundo, o inglês Banksy, virou notícia novamente no mundo artístico - e não por conta de uma obra nova. 

Veja o perfil de Banksy no Instagram.

    O grafiteiro ou um grupo de grafiteiros, famoso por suas obras com críticas sociais e políticas, colocou uma delas à venda em um leilão na famosa Sotheby's, em Londres. Quando o estêncil batizado de A Menina com Balão foi arrematado por 1,4 milhão de libras (cerca de R$ 5 milhões), um dispositivo eletrônico foi acionado no quadro e o desenho foi picotado por um cortador de papel escondido.


sexta-feira, novembro 01, 2024

Atenção Sustentada Cíclica em A jovem com brinco de pérola de Vermeer

A jovem com brinco de pérola: este quadro nos hipnotiza, os cientistas agora sabem como;

    Um mistério de vários séculos envolve o quadro de Vermeer, A jovem com brinco de pérola. Um novo olhar científico pode revelar o que o torna tão cativante.

    Os neurocientistas mediram a reação do cérebro diante desta obra icônica. A descoberta? Um ciclo neurológico de atenção que mantém o espectador absorto.

Johannes Vermeer (1632-1675) pintor holandês Barroco do século XVII A jovem com brinco de pérola Pixabay/CC0 Public Domain

    Quando observamos a jovem com brinco de pérola, nosso olhar segue um percurso específico: o olho, a boca, depois a pérola, e assim sucessivamente. Este ciclo visual, chamado de "ciclo de atenção sustentada", força a contemplar a obra por mais tempo que outros quadros.

    Os testes neurológicos também revelaram uma forte estimulação do precuneus, uma região do cérebro ligada à consciência e à identidade pessoal. Este fenômeno explicaria a fascinação universal por esta obra.

domingo, setembro 29, 2024

O que são os esferoides, esses misteriosos objetos pré-históricos?

    Preservados ao longo do tempo, os objetos de pedra representam preciosos indícios para compreender o comportamento de nossos antepassados pré-históricos. Em particular, os objetos agrupados sob os termos de poliedros, esferoides e bolas (PSB) são artefatos de pedra talhada enigmáticos, sendo que a questão de sua função ainda permanece em aberto para os pré-historiadores nos dias de hoje.

Para entender o uso desses objetos, arqueólogos recriaram esferoides, aqui em quartzo, de forma experimental. Julia Cabanès/Museu Nacional de História Natural, Fornecido pela autora.

    Produzidos durante os últimos dois milhões de anos em todo o Velho Mundo, esses objetos são muito frequentes em sítios da África e da Ásia, mas curiosamente, são muito mais raros na Europa.

    Na literatura, sua definição depende sobretudo de sua proximidade à esfera: são objetos talhados em pelo menos três faces, de morfologia angular para os poliedros, esférica facetada para os esferoides e perfeitamente esférica para as bolas. Suas dimensões e pesos também são muito variáveis, indo de alguns gramas a vários quilos.


    Apesar de sua frequência nos sítios arqueológicos, esses objetos são muito pouco estudados e continuam mal compreendidos. Qual seria seu papel no cotidiano dos hominídeos fósseis? Além disso, a produção desses objetos é um processo complexo: por que os hominídeos não usavam simples seixos esféricos, em vez de transformá-los em esferoides? Nosso estudo recente de 513 dessas pedras talhadas, provenientes de nove sítios paleolíticos da França e do Norte da África, trouxe novos elementos para responder a essas perguntas.

Poliedro (A), esferoide (B) e bola (C). Julia Cabanès/MNHN, Fornecido pela autora

Um debate de longa data

    Primeiro, vamos rever os estudos e teorias existentes. Foi em 1847 que Boucher de Perthes descreveu pela primeira vez esses tipos de objetos, chamando-os de "machados celtas" quando descobriu essas bolas de pedra no norte da França. Na literatura científica, duas hipóteses principais sugerem que esses objetos são ou ferramentas fabricadas para realizar uma tarefa específica, ou, ao contrário, núcleos em fase final, ou seja, resíduos da talha dos quais foram extraídos tantos lascas quanto possível, sendo as lascas o produto final desejado.

segunda-feira, setembro 09, 2024

A escultura de sangue, a árvore 'sexual' e outras 8 obras que chocaram o público e ajudaram a redefinir a arte

'Ilhas Cercadas'
'Ilhas Cercadas', instalação de Christo e Jeanne-Claude, causou protestos de ambientalistas em 1983
ge da foto,
  • Autho    A decisão de cancelar a exibição de determinadas obras artísticas por causa da reação de partes do público não é fácil para um museu ou centro cultural - e costuma causar temores e debates sobre os limites da censu    No entanto, apesar de controversas, ações como essas - que estiveram nas manchetes recentemente - não são novidade. Várias obras na história moderna instigaram polêmicas semelhantes e algumas delas, apesar de causar muita indignação na sua época, mudaram a maneira como pensamos sobre art   No Brasil, o episódio mais conhecido dos últimos tempos foi o veto à exposição Queermuseu: Cartografias da Diferença na Arte Brasileira em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. A mostra, que reunia trabalhos de 85 artistas e tinha como mote a diversidade e as questões LGBT, foi cancelada após críticas diferentes setores da sociedade.

    O Museu Guggenheim, de Nova York, enfrentou pressão semelhante - de ativistas de direitos dos animais - e cancelou a instalação de dois vídeos considerados muito violentos (um com porcos tatuados copulando, e o outro de pitbulls se encarando e rosnando), bem como a exibição de um grande armário de madeira e tecido intitulado Theatre of the World (Teatro do Mundo, em tradução livre), dentro do qual lagartixas, gafanhotos, grilos e baratas, todos famintos, protagonizam um exercício real de sobrevivência do mais forte.

  • As obras proibidas são de artistas chineses contemporâneos e originalmente foram selecionadas para aparecer como parte da exposição Art and China After 1989, que abriu em outubro de 2017.

Exibição do Theatre of the World
Obras de artistas chineses, como Theater of the World, foram proibidas em exposição em outubro

    Também em outubro daquele ano, o Louvre anunciou que estava desistindo do plano de exibir uma escultura sexualmente explícita do artista e designer holandês Joep Van Lieshout. Uma estrutura de doze metros de altura, que parece retratar um homem fazendo sexo com uma criatura de quatro pernas, Domestikator deveria ser exibido no Jardin des Tuileries, em Paris, ao lado do Louvre, como parte da Feira Internacional de Arte Contemporânea, realizada todos os anos. O Centro Pompidou concordou posteriormente em mostrar o trabalho.
    Com a censura inicial de seu Domestikator, van Lieshout (que insiste que sua escultura não tem uma temática fundamentalmente sexual, mas faz um comentário sobre a interferência do homem na natureza) chamou de hipócrita a decisão do Louvre. "No Louvre", ele ressalta, "há pinturas e esculturas com mulheres nuas, estupro e bestialidade que são muito mais explícitas do que minha obra".

La Grande Odalisque, de Jean-Auguste-Dominique Ingres

Crédito,Wikipedia

Legenda da foto,Quadro 'La Grand Odaslique', de Ingres, causou revolta quando foi exibido pela primeira vez, em 1814

Arqueólogos descobrem tradição mais antiga ainda viva

 

Ritual Aborígene

    Há cerca de 65 mil anos, os primeiros humanos chegaram à Austrália. Desde então, os aborígenes do país formam algumas das etnias mais ancestrais da humanidade, isoladas por milhares de anos de outros povos até a chegada dos europeus no século 17.

    Mas o quanto os costumes e as tradições desses povos mudaram ao longo do tempo? Quão parecidas são essas culturas com as de seus ancestrais? Como os indígenas australianos não deixaram registros escritos, é difícil saber.

    Um novo estudo, porém, encontrou provas de que uma tradição moderna entre uma etnia aborígene já era praticada há cerca de 12 mil anos, no fim da última era glacial, fazendo da cultura GunaiKurnai a mais antiga ainda viva – transmitida de pais para filhos ao longo de 500 gerações.

Aborígene tocando flauta: instrumento pode ser o mais antigo do mundo

quinta-feira, setembro 05, 2024

Como caçadores da Era do Gelo matavam os mamutes

    Os antigos caçadores da Era do Gelo provavelmente não arremessavam lanças nos mamutes, nem enfrentavam esses bichos e os espetavam cara a cara, como vemos em muitos filmes. Segundo arqueólogos da UC Berkeley, nos EUA, os humanos podem ter apoiado a ponta de suas "lanças de Clovis” contra o chão e inclinado a arma para cima, de forma a empalar animais em ataque.

    Feitas de sílex ou obsidiana, as pontas desses instrumentos eram de pedra lascada, e tinham uma base entalhada de encaixe em hastes de madeira, para serem usadas como arma de caça. Encontrados em um sítio arqueológico próximo à cidade americana de Clovis, os artefatos podem ter surgido há cerca de 13 mil anos.

O uso das pontas de Clovis foi estudado nesta pesquisa

    Segundo o estudo, a estratégia consistia em empurrar essas lanças fincadas, mais profundamente no corpo dos predadores, desferindo um golpe muito mais contundente do que qualquer caçador conseguiria fazer. Algumas dessas pontas de Clovis foram desenterradas dentro de esqueletos de mamute preservados.

    Para testar suas hipóteses, os autores se basearam em várias fontes escritas e obras de arte. Além disso, realizaram o primeiro estudo experimental de armas de pedra, focando especificamente em técnicas de caça com "pikes", as lanças longas comumente usadas por caçadores pré-históricos.

Caça ao urso com lança reforçada no norte da Eurásia

    Dessa forma, a equipe construiu uma plataforma de testes, medindo a força que um sistema de lanças é capaz de suportar frente a um ataque simulado de animal, antes que sua ponta quebrasse ou o eixo expandisse. A versão rústica de um ataque de mamute, usando uma réplica de lança Clovis reforçada, possibilitou avaliar como diferentes lanças atingiam seus pontos de ruptura. 

    A conclusão foi que a tecnologia desse sistema de caça se baseava nas pontas de Clovis, que eram especialmente projetadas para maximizar os danos após penetrar na carne do animal, assim como uma bala de ponta oca moderna. Esse entendimento sofisticado de design de armas "poderia infligir ferimentos sérios a mastodontes, bisões e tigres dentes-de-sabre", diz um comunicado de imprensa.

Mais de 60 esqueletos de mamutes encontrados em uma construção de aeroporto no México

    O primeiro autor do estudo, Scott Byram, pesquisador da Instalação de Pesquisa Arqueológica de Berkeley, afirma no comunicado que, desde o seu tempo de pós-graduação, vem refletindo sobre essa tecnologia indígena. Ele tentava entender, principalmente, qual seria o propósito de se investir tanto tempo no processo de entalhe de uma pedra de Clovis.

    Agora ele percebeu que esse tipo de pedra não era como as demais pontas de flechas entalhadas, pois ela tinha um propósito diferente. "Era uma arma mais substancial. E provavelmente também usada defensivamente", reconhece.

De Jorge Marin para MegaCurioso em setembro 2024


segunda-feira, julho 22, 2024

Mona Lisa: a cadeira escondida que transforma o significado da obra de Leonardo


Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou simplesmente Leonardo da Vinci, foi um polímata nascido na atual Itália, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico

Algumas coisas são tão óbvias que acabam passando despercebidas.

    E isso pode acontecer até em uma imagem onipresente como a Mona Lisa.

    O retrato emblemático de Leonardo Da Vinci, feito em 1503, estrelado por Lisa del Giocondo, uma mulher de 24 anos, mãe de cinco filhos e esposa de um rico comerciante de seda florentino, é a obra de arte mais famosa do mundo.

    No entanto, quantos de nós já notamos conscientemente o objeto na pintura que aparece mais perto do observador do que qualquer outro: a cadeira em que a mulher misteriosa está sentada?

Geóloga alega ter desvendado mistério sobre local onde Mona Lisa foi pintada

 

Mona Lisa, a obra-prima de Leonardo da Vinci

    Ela é uma das pinturas mais famosas do mundo, mas ainda está envolta em mistério.

    A Mona Lisa de Leonardo da Vinci é mais conhecida por seu sorriso enigmático, mas mais de 500 anos depois de sua criação, ainda há dúvidas sobre muitos elementos do retrato.

    Agora, a geóloga e historiadora da arte renascentista Ann Pizzorusso acredita ter resolvido um desses mistérios – o local onde o retrato, do século XVI, foi pintado.

domingo, julho 21, 2024

Artistas medievais usavam nanotecnologia

    A nanotecnologia é tipicamente vista como algo que os seres humanos só agora estão começando a fazer uso, e seria considerada uma tecnologia do futuro. No entanto, uma equipe de pesquisadores descobriu que artesãos medievais fizeram uso de alguma forma de nanotecnologia para criar material dourado e ultrafino. Mas eles ainda não sabem exatamente como fizeram isso.

    Zwischgold remonta pelo menos ao século XIII, quando começou a ser usado como material de douramento na arte da Alemanha e Suíça. É uma folha de metal feita de uma fina camada de ouro sobre um suporte de prata, e poderia ser adicionada a esculturas ou pinturas, onde criaria um tom mais pálido do que se usasse ouro puro. Zwischgold pode ser encontrado aplicado em pequenas seções para esculturas, altares, pinturas de parede e iluminuras de livros.