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sexta-feira, março 21, 2025

A fascinante história do Príncipe Africano retratado por Gustav Klimt

Retrato de príncipe da África Ocidental William Nii Nortey Dowuona, feito pelo célebre pintor austríaco, está à venda por 15 milhões de euros. Mais impressionante do que o preço é a história por trás da obra de arte.

Retrato de William Nii Nortey Dowuona: obra do pintor Gustav Klimt ficou perdida por muitos anos

    Durante muito tempo, o retrato do príncipe da África Ocidental pintado em 1897 pelo austríaco Gustav Klimt foi dado por perdido: seus rastros desapareciam depois de 1938.

    A reaparição da pintura Príncipe William Nii Nortey Dowuona se tornou uma sensação no mundo da arte, assim como o fato de ela estar pestes a ser vendida por 15 milhões de euros (R$ 92 milhões) na feira de arte Tefaf, em Maastricht, Holanda.

    Um casal de colecionadores levou o quadro até a galeria dos negociantes de arte vienenses Wienerroither & Kohlbacher, há 25 anos especializada em Klimt. "Foi uma grande surpresa para nós", comenta o diretor da galeria, Alois Wienerroither.

    Ele e seus sócios não reconheceram imediatamente o tesouro que estava escondido atrás da sujeira. "Nós olhamos para a pintura; ela estava suja e tinha uma moldura ruim; não parecia nada com Klimt." Após a limpeza, ficou claro que era a pintura de um príncipe da África Ocidental, de uma região que atualmente é parte do território de Gana.

Klimt, pioneiro da vanguarda austríaca

    O vienense Gustav Klimt (1862-1918) foi um dos pintores mais importantes austríacos do final do século 19. Considerado o representante máximo do estilo art nouveau vienense, ou jugendstil, seus retratos abstratos de mulheres, como O beijo e a Dama dourada são mundialmente famosos.


O beijo, uma das pinturas mais famosas de Klimt, está no Museu Belvedere de Viena

    Em 1897, fundou com um grupo próximo de artistas a Secessão de Viena. O coletivo de 50 artistas de vanguarda queria romper com o estilo realista do historicismo e lançar uma nova estética, tendo Klimt como presidente da associação.

    Durante esse período de mudança ele pintou o retrato do príncipe da África Ocidental, em estilo realista. Para Wienerroither, trata-se de um quadro fundamental: "O fundo floral da pintura já é moderno e também evoca o retrato de Sonja Knips, filha de uma família de oficiais, que ele pintou um ano depois."